frente ao espelho
penso
o tempo que não veio
o mar que se foi
o amor que não ficou
o mamilo dos teus seios
os olhos de um boi
tudo que restou
o sol a luz a cruz
a dor de não dormir
o berro a barra
a lua o punhal a faca
a fruta no quintal
a pele o tecido
a cor do teu vestido
a flor no temporal
a chuva o arco íris
teus olhos a retina
a cera a parafina
e a nossa vida de animal
ela era Bruna em noite de blues rasgado soltou a voz feito Joplin num canto desesperado por ser primeiro de abril aquele dia marcado a voz rasgou a garganta da santa loucura santa com tanta força no canto que até hoje me lembro daquela musa na sala com tua boca do inferno beijando meus dentes na fala (Artur Gomes) Pátria A(r)mada Desconcertos Editora - 2022
sábado, 11 de fevereiro de 2023
frente ao espelho
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