Triste Bahia
a música de Caetano desse tempo
me remete a Londres e Gregório de Mattos
em tudo que Caetano cantava
em tudo o que Gregório dizia
um tempo que me leva a Carolina
chegada da Argentina direto no Farol
com sua pele de luz
e seus cabelos de sol
o tempo tem seus relógios
e todo o mar tem areia
estrelas conchas e luas
reflexo de luz em suas algas
vejo ainda Carolina na rede da varanda
com os olhos fixos no mar
como iria me esquecer
como não iria me lembrar?
ela era Bruna em noite de blues rasgado soltou a voz feito Joplin num canto desesperado por ser primeiro de abril aquele dia marcado a voz rasgou a garganta da santa loucura santa com tanta força no canto que até hoje me lembro daquela musa na sala com tua boca do inferno beijando meus dentes na fala (Artur Gomes) Pátria A(r)mada Desconcertos Editora - 2022
sábado, 11 de fevereiro de 2023
trisre bahia
múltiplas poéticas
sargaço em tua boca espuma
em armação de búzios
tenho um amor sagrado
guardado como jura secreta
que ainda não fiz para laís
em teus cabelos girassóis de estrelas
que de tanto vê-las o meu olho vela
e o que tanto diz onda do mar não leva
da areia da praia onde grafei teu nome
para matar a sede e muito mais a fome
entranhada na carne como flor de lótus
grudada na pele como tatuagem
flutuando ao vento como leve pluma
no salgado corpo do além mar afora
sargaço em tua boca espuma
onde vivem peixes - na cumplicidade
do que escrevo agora
múltiplas poéticas
esfinge
uma flor do lírio
nasceu na minha frente
naquela tarde ali na sala
e a inda arde
nos meus olhos aquela flor
que transformou
meu corpo em alquimia
diante aquele ser até então desconhecido
olhei ponto por ponto
do teu corpo embaixo do vestido
e nunca poderia imaginar
que o que entre nós viria a ser traçado
já estava ali tecido
mas uma outra flor a esfinge – decifrou
e então logo me disse:
que comigo não iria ser feliz
pois a flor do lírio era a flor
que eu sempre
quis
múltiplas poéticas
na pele da memória
ondas sempre morrem no cais
nem sei se quero mais tanta procura
daquilo que não tenho
se nos olhos ainda tenho flores de dezembro
daquela manhã ainda me lembro
adele tinha a pele branca
como uma bruma de vênus
em tuas costas uma palavra indígena:
Bertioga
a tua língua macia me trazia o gozo
e nunca fora de menos
com a boca de água e sal me lambia
depois dos beijos molhados
nos lençóis de areia
a carne da
palavra
: POESIA
l a v r a q u e s o l e t r o
todo Dia
poema do terceiro dia
remover a pedra dos rins
a faca dos dentes
a escama seca da espinha da serpente
retirar da carne o sal que restou do mar
e me mandar para outras águas
de preferência água doce
antes que o mar me salgue
antes que o mar me cegue
peço a Oxum que me leve
por onde eu ainda possa me salvar
fluxus
como flor
de lótus
ela se abriu entre a lua e o girassol
deixou meus lábios molhados
os olhos alvoroçados
por tanta delicadeza
talvez até fosse tigresa
mas mora em mim a certeza
que és felina Leoa
e faz de mim tua presa
me transformando em pessoa
pluma
a pluma é leve
flutua no ar com simples sopro
o amor também é leve
levita no ar sobre teu corpo
o que sei dele ainda é pouco
por isso procuro feito um louco
como se estivesse em minhas mãos
mas não está.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
enquanto isso o tempo gira
Artur Gomes https://fulinaimagens.blogspot.com/
O Último Godot
texto de Matéi Visniec
Leitura ensaio com os atores:
Anderson Cabral e Felipe Monda
Laboratório de Teatro - processo de criação de encenações
teatrais para espaços não convencionais
A Arte Existe Porque A Vida Não Basta
Ferreira Gullar
VeraCidade - As multilinguagens no Museu
Me guardando pra quando o carnaval
chegar vou passear no bloco dos Felinhos no teatro dos Felinis - quem adivinhar
o homenageado ganha a fantasia .
este ano
eu vou sair de pirado
você não vai poder dizer
que eu não saí fantasiado
ano passado
eu saí de felino
EuGênio Mallarmè
saiu no baque pelegrino
este ano vamos todos de felinis
de um jeito tão bacante
que nem Afrodite nos define
Artur Fulinaíma
www.fulinaimargem.blogspot.com
a chícara é apenas um detalhe para pensar dela o café distraindo os olhos de coruja presos no umbigo
penso em vão não escrever certa vez comecei um poema com vírgula as curvas dos seios no branco do papel o caminho entre tecidos sob a pele para o túnel onde não passam automóveis a vírgula não é ponto apenas um sinal no início do poema que não precisa ter ponto final apenas curvas em direção a outras curvas para encontrar as outras vírgulas no início do poema
me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha
quero muito mais a carnavalha
do que palavra açucarada
quero a palavra sal
no suor da carne bruta
a flor de lótus no cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos
me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios
artur fulinaíma
www.carnalhagumes.blogspot.com
Bolero Blue
beber
desse conhac em tua boca
para matar a febre
nas entranhas entredentes
indecente
é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é
que a fome desse beijo
furta qualquer palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai
Artur Gomes
www.fulinaimagens.blogspot.com
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
nunca estive em Bagdá mas adriana esteve
nunca estive em Bagdá
mas adriana esteve
carnaval pra mim é vai que
dá. estava voltando do desfile de blocos do Rio de Janeiro, no carnaval de 2005
e quando cheguei no apartamento em que estava hospedado em Botafogo, me deparei
com uma mensagem no celular me convidando para dirigir um curso de Teatro em
São Fidélis pela FAETEC.
foram 5 meses de encontros
semanais com amigos e amigas que já faziam parte do grande rol de amizades que
tenho naquela cidade. alguns ainda moradores da Cidade Poema, outros saíram para
outra paragens, mas acabaram retornando a terra natal.
o carnaval a carnavalha
nomes de musas que me perseguem de Dante a Chico Buarque todas todos os poetas
já cantaram seu nomes e tem um que me acompanha desde a infância ainda na
cacomanga, como também essa cicatriz que continua cravada na carne nos nervos
como se fosse esfinge clarice/beatriz.
Artur Gomes
https://arturkabrunco.blogspot.com/
Balbúrdia PoÉtica -14 de outubro
A Ventura Editora e o autor Arthur Gomes convidam para o lançamento do livro Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma 14 outubro - ...
-
alvoroço na aldeia franciscana Godot montou seu cavalo baio pensando copa cabana atravessou como um raio as barras do...
-
rente a pele contra o muro eu te grafito no escuro Artur Gomes In Couro Cru & Carne Viva - 1987 leia mais no blog A Biografia ...



















