sexta-feira, 8 de março de 2024

Múltiplas Poéticas

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1.

Qu’importa

Se chegou ontem à tarde

E já se vai agora

‘inda antes do almoço.

Deixou o bastante de si

Entre essas paredes,

Em manchas no lençol

E na umidade na toalha

De banho.

A felicidade é sempre

Para sempre

Mesmo que dure

Menos de um dia.

 

2.

Veja se não esqueceu

Alguma peça de roupa

Na gaveta

Um pé de meia

A camiseta

Do dia em que chegou,

Ou mesmo pela metade

O tubo de pasta de dente

Na pia do banheiro.

Dê uma última e lenta

Olhada em tudo

para ver

Se realmente

Está levando tudo,

E bata a porta

Bem devagar.

Deixe aí dentro

Apenas essa louca

Vontade de ficar.

*

André Giusti

Pirenópolis, 28.7.2023

http://www.andregiusti.com.br/site/


MOTRIZ

para minha irmã, Carmen Moreno;

em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

 

Uma mulher

Não se localiza na estrela brilhante

Numa distante Ursa Maior

Mas na medula óssea

Na régua que controla a diretriz dos corpos

Ela é sempre um pacto

Um parto futuro

E deve ser lida na delicadeza das maçãs

Na beleza vermelha dos pássaros

Uma mulher

É o sangue que brota

No meio dos girassóis caídos

É o fio elétrico da tensão

É a fé que emerge dos faróis dos templos

É a humaníssima trindade

Está atrás, à frente, ao lado

Do mais humano do humano

Do humano do humano

Uma mulher

Não se dilui nas cores do Sol

Ou no final do arco-íris

Ela é o que resiste

É o aqui e o agora

É a sede que inscreve no rosto do mundo

A senha

“Libertas que serás, homem”

Uma mulher será para sempre

 O coração do poema

 

Tanussi Cardoso

In Sextas Poéticas

http://artecult.com/sextas-poeticas-motriz-de-tanussi-cardoso/


Mais que nunca

E no entanto, é preciso cantar

Mais que nunca, é preciso cantar

É preciso cantar e alegrar a cidade

Vinicius de Moraes

 

A bala da moda é a perdida na balada nossa de cada dia

Cidade partida sempre se mostra, roça as vidas: mil Rocinhas

Não se queira que se dane o Rio de sangue e maravilhas

Rio explode nas retinas e até pode virar minas

Mais que nunca, cantar forte coletiva utopia

E que rio de recortes seja só em geografia

Arte é campo sem divisas, vê além do que espia

Qualquer canto será grande sob o céu da poesia

                                                  Delayne Brasil

(poema do livro Na pele do mundo, Ventura Editora, 2023).


         concretar é preciso

Tchello d´Barros

 

Artur Fulinaíma

teve sua conta

banida do face

mas teimoso e concreto

ele permanece aqui

erótico

                      ereto

 

Rúbia Querubim 

https://porradalirica.blogspot.com/


POESIA PLURAL ACONTECE AGORA TAMBÉM EM SÃO PAULO – SP

Agora é oficial. O já consolidado evento literário Poesia Plural, que reúne anualmente autores de diversas regiões do Brasil, acontecerá pela primeira vez também em São Paulo, Abrigado pela Livraria Patuscada, tradicional point do meio literário paulistano, Com curadoria de Tchello d’Barros, esta primeira edição do evento na cidade, apresentará um timaço de autores, contando ainda com uma parceria da Editora Desconcertos. No programa, além de uma série de performances, haverá sessão de autógrafos e o aguardado sarau multilinguagens.

POESIA ORAL


A chamada Poesia Oral, falada, declamada, encenada, em suas diversas facetas marca presença no momento sarau deste Poesia Plural. Além das performances de Lucília Dowslley(RJ) e Brenda Marques Pena (MG), teremos participação de uma pleêiade de poetas de diversos estados, que estarão com seus versos interagindo com a plateia.

NOMES CONFIRMADOS


Abel Coelho, Betty Vidigal, Cá Berto (POR), César Augusto de Carvalho, Cláudio Daniel, Cristiane Grando, Dione Barreto, Eliane Justi (PR), Fabiano Fernandes Garcez, Franklin Valverde, Ingrid Morandian, Iverson Carneiro (RJ), Joaquim Celso Freire, Luís Alberto Machado (PE), Luiza Silva Oliveira, Marcelo Brettas, Otávio Machado, Renata Barros, Regina Viana, Remisson Aniceto, Renilson Durães, Roberto Bicelli, Roza Moncayo, Rubens Brosso, Rubens Jardim e Telma da Costa (RJ).

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https://fulinaimagens.blogspot.com/
  

Sarau Campos VeraCidade

Sarau Campos VeraCidade

 Dia 15 de Março 19h - Palácio da Cultura - música teatro poesia

 mesa de bate-papo :um olhar sobre a cidade no que foi o que é e o que pode ser.

 Abertura:

Leitura do poema Cidade, de Prata Tavares, por Artur Gomes

 Participações:

mesa de bete-papo:

 Sylvia Paes + Fernando Rossi + Carol Poesia + Ronaldo Junior

 poesia:

Clara Abreu + Jonas Menezes + Valdiney Mendes + Marcelo Perez + Gezebel Mussi

 música:

Thais Fajardo + Arnaldo Zeus + Reubes Pess + Renato Braga

 teatro infantil:

 Grupo GOTA

direção:

Simone Jardim

 contação de estória

: Onalita Tavares Benvindo

 produção:

Artur Gomes e Clara Abreu

direção: Artur Gomes

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Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima – Prefeitura de Campos Uma Outra História

terça-feira, 5 de março de 2024

Artur Gomes - Jogo de Dadaista

jogo de dadaísta

 

não sou iluminista nem pretender

eu quero o cravo e a rosa

comer o verso e a prosa

devorar a lírica a métrica

a carne da musa

seja branca vermelha negra

verde amarela ou cafuza

 

eu sou do mato curupira carrapato

sou da febre sou dos ossos

sou da Lira do Delírio

São Virgílio é o meu sócio

Pernambuco Amaralina vida breve

ou sempre vida Severina

sendo mulher ou só menina

que sendo santa prostituta cafetina

devorar é minha sina e profanar é o meu negócio

 

Artur Gomes

www.secretasjuras.blogspot.com

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=48AANxyuZRs


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sábado, 2 de março de 2024

despautério de torquália


 despautério de torquália

 

nada demais

se o muro é pintado de verde

não sei se ainda quero ver-te

neste país do carnaval

 

lírico demais

se os planos são enganos

para mim tanto faz

as perdas e os danos

 

eu sou como sou: vidente

e vivo tranquilamente

todas as horas do fim

 

se o poeta é um anjo torto

a tarde já nos traz

o corpo de um outro morto

 

agora não se fala mais

toda palavra é uma cilada

o início pode ser o fim

do começo que não deu em nada

 

eu sou como sou: vidente

e vivo tranquilamente

todas as horas do fim

 

nada de  mais

se quiserem roer o osso

já não estou nem aí

como geleia até o pescoço

 

nada de mais

se a palavra é precipício

o que fica tanto faz

a poesia já não corre risco

 

Herbert Valente de Oliveira

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Múltiplas Poéticas

“Muitas vezes, o amado é apenas um estímulo para todo o amor armazenado, que estava, desde há muito tempo e até então, sereno dentro do amante. E, de alguma forma, o amante sabe-o. Sente na alma que o amor é uma coisa solitária. Começa a conhecer uma nova e estranha solidão e é esse conhecimento que o faz sofrer. Portanto, há apenas uma coisa que o amante pode fazer. Deve abrigar o seu amor dentro de si o melhor que possa; deve criar para si um mundo interior totalmente novo — um mundo intenso e estranho, completo dentro de si mesmo.”
.

CARSON MCCULLERS (19 de Fevereiro de 1917 – 29 de Setembro de 1967), escritora norte-americana, em excerto que traduzimos do original inglês de “A Balada do Café Triste”.

 

Daniela Pace Devisate – Alcateia 


São 13 anos de Patuá, gente! E vai ter festa, muitas! Não poderei ir à comemoração em São Paulo no dia 24/02, mas meu livro estará por lá. Então, povo de Sampa que ainda não tem meu “A forma fugaz das mãos”, agora é o momento!⁣
⁣
Mas no dia 16/03, a festa será aqui no Rio. Aí, sim, estarei com abraços a postos e livros disponíveis. Então, enquanto março não chega, simbora pra Sampa. Catem meus livros por lá!⁣




que é a pele senão a mordaça do sangue

a sonegação do grito enquanto saboreiam

ao relento o orgasmo gástrico da fome?

que é a pele senão um rótulo fajuto que se reparte

em afazeres como se o mundo não passasse

de uma imensa casa encerada e concluída?

rasga esse traje delicado que te embaça

e que o sangue escancare toda a acústica

que a custo esteve presa:

siga o mapa das cicatrizes

e encontrarás o homem

 

Kissyan Castro

 



*


*

Liquidez

 

“ Tenho algo a dizer que digo a mim próprio.” (Federico García Lorca)

 

O sal da boca adoça a partida desesperada

Nada dobra a esquina ou consegue vergar a montanha inexpressiva

 

Os automóveis velejam como náufragos na morte do relâmpago.

 

O céu olha para cima

a  terra fecha-se em musgos incomunicáveis

 

Os moinhos viraram  torres imensas

favorecendo trilhões de comunicações liquefeitas

 

O que se lê, esvai-se, flagela-se

A hora torna-se inútil

 

O gato aperfeiçoa o pulo

e o homem cai de si mesmo

 

O medo corrói a pele e a expressão da dor

a velocidade transcende ao holocausto das coisas simples

 

A vida derrama-se, espalma-se no espanto do nada.

Eu me declaro aos silêncios impotentes.

 

Eurídice Hespanhol

*


*


Urban Sketchers é um movimento internacional iniciado em 2007 na cidade de Seattle-USA, voltado para pessoas que gostam de desenhar a cidade onde vivem ou visitam. São desenhos realizados no local por observação direta, e são um registro do tempo e do lugar. Atualmente existem grupos de Urban Sketchers em cidades por todo o mundo. O grupo Urban Sketchers Campos dos Goytacazes realizou o primeiro encontro no dia 20/Out/2018 na Praça São Salvador. Depois foram feitos encontros em vários locais da cidade, como Jardim São Benedito, Igreja da Lapa, Museu Histórico de Campos, Jardim do Liceu, Usina do Queimado, Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Colégio Auxiliadora, Lagoa do Vigário, Villa Maria, Ao Livro Verde, Teatro Trianon. Em junho de 2019 o grupo participou do IV Encontro Urban Sketchers Brasil em Ouro Preto, e em 2022 participou do V Encontro Urban Sketchers Brasil no Rio de Janeiro, participando das exposições coletivas dos eventos. Em Campos o grupo realizou exposições no Museu Histórico de Campos, Faculdade de Medicina – FMC e Villa Maria. O grupo é formado por arquitetos, artistas, designers, estudantes e pessoas que simplesmente gostam de desenhar no local.

 

Ronaldo Araújo - coordenador do grupo

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                                        *

acabou a festa
poesia é o que resta
quando nada mais resta

garbo gomes


Arte:
Nu
Edward Weston
( 1936 ) 

SOL DE CARNAVAL

 

                      Luis Turiba

 

a chama flama

quase brasa

não mais possível

queimar a mufa

sem cair na farra

nada afaga

nem a chuva

 

dar um tchibuns

em blocos cordões

charangas bandas

 fanfarras

 

multidões travessas

cruzas urbanas

homens em seus leques

pileques, mo-lekes

salamaleques

piratas pirados

 

meninas arrastam

suas meias arrastadas

seus biquinis de brilhos

fora dos trilhos

ressaltam nádegas

arredondadas em

bundas empinadas

 

no meio do redemunho

manobras danças coletivas

extraordinários desacatos

pulsações carnais

na roda, um senhor

de setenta ou mais

 

ah!

sou um periférico

de estrutura férrea

perdido entre pingos

suores e água fresca

na nuca abrupta suada

 

o calor derrete a moringa

líquido ferve em frevos

o suor do sol da sede

não bebo cervejas

as juntas se juntam

e juntas, venceremos!

 

embalar as crias

em voos que zarpam

raspando o lado

precipício da corcunda

do Corcovado ao Pão

de Açúcar

d’onde ouvimos o coro

doce-inocente do samba

modernista do Oswald

na voz tropicalista de

Caetano

 

“no Pão de Açúcar

de cada dia

dai-nos Senhor

a poesia de cada dia

...no Pão de Açúcar.....

 

                                        Glória, 16.02.024

                                     *


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                                                                     *

Luis Turibavem do fermento poético-cultural que formou no Brasil a partir de 1968.

A barra pesou e nossa geração respondeu com pedras, tiros, poemas ao som de canções tropicalistas e filmes de Glauber Rocha.

Luis Turiba vem dessa juventude que foi as ruas e inventou um novo tipo de fazer Poesia.

Até que fundou a revista Bric a Brac em Brasília junto com Antonio Risério, João Borges, Lucia Leão, Resa e Augusto de Campos. Na virada do século voltou a ocupar seu lugar entre os poetas de sua geração no Rio, publicando tres livros pelo 7 Letras.

Agora, escreve ha mais de ano o livro autobiográfico “Viva Zé Pereira - Aventuras e Desventuras de uma geração, planejado para sair em 2025.

Luis Turiba trabalhou com Gilberto Gil por 4 anos na re-fundação do Ministério da Cultura cujo programa principal foram os “Pontos de Cultura” implantados no Brasil por intermédio da política fo Don In Antropológico.


                                             *



terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

múltiplas poéticas

nunca estou

mesmo estando

onde nunca estive

mesmo tendo estado

 

isso me provoca sérias dúvidas

dívidas pra resgatar no fim do mês

 

e o preço da  carne seca

está mais caro no mercado

 

Artur Fulinaíma

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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Artur Gomes - O Homem Com A Flor Na Boca

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

Um Canibal Tupiniquim

 por Fernando Andrade | escritor e jornalista

 Um homem cita um poema de nome. O músico já usou a cítara para musicar este poema pelo nome. Tudo já foi transformado, o poema para canção, a rima comeu a melodia e fez troça e troca de nome. Mas o poema do livro O homem com a flor da boca, da editora Penalux, nos devolve este país, do samba, do riso piada, Leminski, a força do ato canibalista de deglutir o que veio antes da poesia concreta, até a letra da canção de Luiz Tatit. Artur Gomes fez das suas, com tanta fome, comeu a maioria dos poemas que leu na vida e canibalizou e carnavaliza referências, citações, humor de longa estrada, ou beira de bar, trabalhando com gume de faca afiada e o lume de um pôr do sol em Ipanema, lembrando Vinícius.

São poemas bons para musicar tanto na solidão de um violão, quanto, atravessada por uma voz tenor, sax soprano. E não falta sexo, sacanagem, tesão, nas palavras das palavras num atravessamento em plena Quarta feira de cinzas, no resultado do carnaval. O desbunde da bunda, o levante dos órgãos, a gíria, e a menina com fio da linha escrita, carregando anedotas, fábulas e circos. O poeta não faz gênero, ele é macho, e fêmea, Simone, em segundo sexo. São poemas para emprestar ao amigo que está com fone de ouvido se atentar para a prosódia do verso, para quem sabe não copiar e transformar Amor em flor na boca.

 

https://www.literaturaefechadura.com.br/2024/01/22/livro-de-poemas-o-homem-com-a-flor-na-boca-canibaliza-a-historia-brazuca-do-verso-em-poemas-tropicalistas/


                          poesia

 

I

chegas a mim

como uma égua assanhada

não quer saber do meu carinho

só quer saber de ser trepada

 

II

 

eu te penetro

em nome do pai

do filho

do espírito santo

amém

 

não te prometo

em nome de ninguém

 

terra

 

amada de muitos sonhos

e pouco sexo

deposito a minha boca

nu teu cio

e uma semente fértil

nos  teus seios como um rio

 

Artur Gomes

Suor & Cio – MVPB Edições - 1985

https://personasarturianas.blogspot.com/


Balbúrdia PoÉtica -14 de outubro

A Ventura Editora e o autor Arthur Gomes convidam para o lançamento do livro Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma 14 outubro - ...