Maloca
Minha mente é uma maloca
Uma área determinada
Uma terra demarcada
Pela indignação
Batido chão
Fio de alta tensão
Emaranhado
Gato
Esgoto a céu aberto
Ralo
Minha mente é uma maloca
Samba
Rock
Rap
Poesia
Cartolas Criolos e Mauris
Agredindo sua arrogância
Animando minha crença
No amanhã dessa criança
Que vive por aqui
Minha mente é uma maloca
De portas abertas pro mundo
E janelas com paisagens diversas
Que podem confundir sua razão
Minha mente é uma maloca
Vítima da má distribuição
De sonhos
E realização
É um portal
É um sarau
Onde a massa grita
Implora aflita
Por um diazepan
Minha mente é uma maloca
Um enigma
Uma contradição
O mundo inteiro
E a solidão
Quando manifesta
Rasura sua imaginação
Me fala
Me cala
Mas nunca consente
Uma maloca cheia de cor
E de gente
Indigente
Minha mente
Malu Pera
ela era Bruna em noite de blues rasgado soltou a voz feito Joplin num canto desesperado por ser primeiro de abril aquele dia marcado a voz rasgou a garganta da santa loucura santa com tanta força no canto que até hoje me lembro daquela musa na sala com tua boca do inferno beijando meus dentes na fala (Artur Gomes) Pátria A(r)mada Desconcertos Editora - 2022
sábado, 11 de março de 2023
Malu Pera
bandeira nacional
bandeira
nacional
com palavras
sons
imagens
e versos
inauguro o monumento
no planalto central
araçá azul
domingo no parque
vapor barato
mal secreto
pérola negra
construção
cabeça
poema concreto
arte
poesia
teatro
cinema
pós poema
terra em transe
tropicália
grande sertão
veredas
vidas secas
memórias do cárcere
parangolés
hélio oiticica
artur bispo do rosário
bacurau
seja herói seja marginal
Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux – 2020
sábado, 4 de março de 2023
Teatro do Absurdo
Teatro do Absurdo
O quarteto da hipotenusa
versus o quadrado do quarteto
da hipotenusa a musa do quadrado
fosse apenas o retrato na fotografia
mas não sendo hipotenusa
somente musa algaravia
uma palavra mais que estrada
sendo musa multi-via
me levou nessa jornada
para fora da Bahia
todos os santos mar aberto
no abismo a fantasia
de querer mus entretanto
muito mais que poesia
e ela vai pintando
o homem com a flor na boca
com seus pincéis de aquarela
poema que só é possível
pelas lentes dos olhos dela
na balada ou no bolero
nossas letras se entrelaçaram
pele corpo carne sangue pelos
poros entre tintas entre tantos
anos que foram pintados
sobre papéis de cartas em fogo
sob o sol chuva verão inverno
quando qualquer das estações
é primavera
e ela era uma estudante de arquitetura que pintou poemas no cachorro louco
e desenhou imagens em Brazilírica Pereira : A Traição das Metáforas
Artur Gomes
O Homem Com A Flor Na Boca
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
sábado, 11 de fevereiro de 2023
múltiplas linguagens
anti/lírica
um poema bashô aqui
nas 7 paredes do corpo
nos 4 cantos da casa
instigante satírico sarcástico
e ao mesmo tempo
esse ácido lirismo
é como um anjo
de belas brancas asas
que me toma arrasta domina arrasa
Gigi Mocidade
https://porradalirica.blogspot.com/
poética 27
paixão é tudo
entre teu corpo e o poema
a faca desliza
amolada
entre a casca e a pele da fruta
quando sair para o banho
acenda a luz do abajour
aos pés da cama
e deixe que eu escreva nos lençóis
as palavras selvagens
que baudelaire nos ensinou
artur gomes
Teatro Multilinguagens
SINASEFE – Campos dos Goytacazes-RJ – 2017
A Invasão Cibernética em Martinópolis
Em JardiNÓpolis, cidade do
interior paulista, Newton Reis, em seu quarto mandato de prefeito, construiu na
porta do cemitério da cidade, um monumento de concreto, formado por uma Bíblia
e um Disco Voador, que segundo o próprio, é o transporte que leva as almas para
o infinito celestial.
Inspirado nesse fato que
teve conhecimento quando foi a Jardinópolis pela primeira vez em 1985, para um Encontro
de Escritores, Artur Gomes concebeu e
dirigiu, uma grande metáfora para o seu Teatro do Absurdo, com os alunos do
curso.
Artur Fulinaíma
https://fulinaimargem.blogspot.com/
Todo Dia É Dia D Poesia Todo Dia
a caminho do Mato Grosso
Poundianas
Torquato era um poeta
que amou a Ana
Leminski profeta
que amou Alice
um dia pós
veio Uilcon torto
e pegou a jóia diana
juntou na pereiralice
com o corpo & alma
das duas
foi Beauvoir assombradado
roendo o osso do mito
pra lá de frança ou bahia
pois tudo que o anjo dizia
Sartre jurou já te dito
NONADA
Biúte: ria
Artur Gomes
In BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas
– Alpharrabio Edições - 2000
na pele do poema
o cavalo selvagem
cavalga a pele do poema
enquanto transa na pastagem
um novo trote
a deusa do rock
berra em outro canto
enquanto na voragem da vertigem
assento a Pedra de Xangô
na Vitória do Espírito Santo
Cristina Bezerra
Sede
eu tenho sede de água
eu tenho sede de mar
girassol nos meus cabelos
espuma de sal esperma e pelos
por onde eu possa delirar
eu tenho sede de sexo
em noites claras de luar
Gigi Mocidade
alguma poesia
alguma poesia
não. não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.
não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô.
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.
não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.
não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper moderno,
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos
não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água
em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos.
Artur Gomes
In Couro Cru & Carne Viva
Prêmio Internacional de Poesia - Quebec - Canadá
1987
poétika
nem santa
nem puta
apenas filha
dessa ilha
seja do que for
Federika Lispector
naquela noite
de chuva
as cores no vestido de Yansã passaram
despercebidas por aqui o sangue encarnado nas matas de Oxossi e o olho do
Dragão na ponta da espada de Ogum ainda que aline na porta da casa velha
tivesse sobre a pele meus olhos presos nas palavras escritas na parede as
sagradas escrituras não dissessem o quanto ali brotavam flores naquela noite de
chuva num coração estraçalhado
Artur Gomes
www.fulinaimagens.blogspot.com
revirei sacramento pelo avesso do avesso aline me
acompanhou passo a passo pela ladeira até a casa dos fundos canários no quintal
catavam o que comer fotografamos e filmamos o que pairou no ar e não perdoa o
éter dentro o cafezal nos convidava ao êxtase aline olhou pelo espelho da
janela que dava para o outro lado da alma e levitou entre as trilhas dos canteiros
ouvindo o som que nos unia
Artur Gomes
www.fulinaimicas3.blogspot.com
Balbúrdia PoÉtica -14 de outubro
A Ventura Editora e o autor Arthur Gomes convidam para o lançamento do livro Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma 14 outubro - ...
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rente a pele contra o muro eu te grafito no escuro Artur Gomes In Couro Cru & Carne Viva - 1987 leia mais no blog A Biografia ...
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alvoroço na aldeia franciscana Godot montou seu cavalo baio pensando copa cabana atravessou como um raio as barras do...



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