segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Por Onde Andará Macunaíma? - proposta para teatro

 

Por Onde Andará Macunaíma?

Proposta Para Teatro

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Por Onde Andará Macunaíma?

https://arturkabrunco.blogspot.com/

Por Onde Andará Macunaíma ? – proposta

para teatro

1 - Macuaíma no fundo do palco, com uma luz no rosto, em imóvel e em silêncio

(na trilha sonora a fala de Caetano : quando Pero Vaz de caminha) apenas a sua fala – quando iniciar a música Macunaíma solta a voz 

Macunaíma - eu nasci concreto

na horizontal - ereto

depois fui me abstraindo

me substantivando me substituindo

criando outros e outras criaturas

em minhas estruturas amorais do ser

eu nasci assim e fui me associando

a outras escritas as que foram ditas

a outras  não ditas

as benditas as malditas

as que disseram minhas

e a outras que raptei de outros

pela minha nova maneira

natural de ter resistência a toda

qualquer coisa que não

é

e as que são coloco como cartas

sobre a mesa para surpresa

de ver que todo santo dia é dia d

 *

passeio os pés descalços

sobre covas rasas

contando ossos no poema exposto

no sujeito do objeto

 *

tudo isso exposto

nesse papo reto

segue o passo norte

 *

não leio cartas de suicídio

nem decreto de hospício

na tentação que me conforte

quero matar o genocídio

pra não morrer antes da morte

*

não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.

não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas tentando a sorte em cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos com os pardais despedaçando nas vidraças e as mulheres cuidando dos seus filhos.

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay e um cheiro de fêmea no ar devorador aparentando realismo hipermoderno num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
 esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos 

não bastaria toda poesia

que eu trago em minha alma um tanto porca, este postal com uma imagem meio Lorca: um bondinho aterrissando lá na Urca e esta cidade deitando água
em meus destroços pois se o cristo redentor  deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos e  na certa só faria poesia com os meus ossos.

 *

ê fome negra incessante febre voraz gigante ê terra de tanta cruz 

onde se deu primeira missa índio rima com carniça no pasto pros urubus

oh! My  Brazyl ainda em alto mar  Cabral quando te viu foi logo gritando:  terra à vista!  e de bandeja te entregando pra união democrática ruralista. por aqui nem só beleza nesses dias de paupéria nação de tanta riqueza país de tanta miséria

 *

                         Tecidos sobre a Terra

Terra, antes que alguém morra escrevo prevendo a morte arriscando a vida antes que seja tarde e que a língua da minha boca não cubra mais tua ferida

entre aberto em teus ofícios é que meu peito de poeta sangra ao corte das navalhas e minha veia mais aberta é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos e pouco sexo deposito a minha boca no teu cio e uma semente fértil nos teus seios como um rio - o que me dói é ver-te devorada por estranhos olhos e deter impulsos por fidelidade - ó terra incestuosa de prazer e gestos não me prendo ao laço dos teus comandantes só me enterro à fundo
nos teus vagabundos com um prazer de fera e um punhal diamante

minha terra é de senzalas tantas enterra em ti milhões de outras esperanças soterra em teus grilhões a voz que tenta – avança plantada em ti como canavial que a foice corta mas cravado em ti me ponho a luta mesmo sabendo – o vão estreito em cada porta

MOENDA

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço

usina
mói o braço
a carne o osso

usina
mói o sangue
a fruta e o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam

:

o saldo e o lucro

na trilha sonora Caetano canta O índio, no palco performance corporal com atores com figurinos que lembrem indígenas

 *

2 - Ator 1 - Si A Rainha Mãe do Mato (Cristina Cruz)

era uma vez um mangue

e por onde andará Macunaíma?

na sua carne no seu sangue

na medula no seu osso

será que ainda existe

algum vestígio de Macunaíma

na veia do seu pescoço?

2

tá no canto da sereia

tá no rabo da arraia?

Joilson Bessa me disse

Kapi ducéu já ensaia

Macunaíma vem vindo

no auto do boi Macutraia

 

3 - Na trilha sonora  - As Filhas de Joana, de Joilson Bessa, com performance corporal do corpo de baile

Joilson Bessa – interpreta Os Órfãos da Modernidade, de sua autoria

4 - Macunaíma - isso aqui não é a hora da estrela, minha mãe não é alice.

que apesar de freira, de hábito, só tinha o vício de me prender por entre o crucifixo colocado entre as suas pernas.

macabea vivia  falando sozinha pelos corredores federais da outra inquisição.

conseguia de vez em quando reunir alguns habitantes mal informados sobre a ressurreição das artes aromáticas , e passava o tempo querendo mostrar seus dotes culinários nua e crua. 

estuprada pelos estivadores daquele cais do porto tentou arrancar o sexo com as unhas e enlouqueceu uivando como loba amarrada a santa cruz

de uma cabrália velha igrejinha 

enquanto na primeira missa

o galo camões bem galinha

chocando o ovo do índio

ou pero vais que caminha

5 - Si A Rainha Mãe do Mato -  É bem verdade que em 2022 Macunaíma passou pela Geleia Geral – ReVirando a Tropicália na Santa Paciência Casa Criativa em Campos dos Goytacazes, mas não demorou, depois de ouvir a discussão em torno de sua possível invenção da Semana de Arte Moderna de 1922, rumou para as quebradas de Nossa Senhora da Conceição do Mato Dentro,  agora então veraCidade nem me pira,  foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.


 6 - Joilson Bessa – O Grito Desesperado das Capivaras

7 - Na trilha sonora – Noite Escura/Terra de Santa Cruz – faixa do CD Fulinaíma As Blues Poesia 2002) enquanto rola a música, Macunaíma dentro do corpo  de baile acompanha a performance corporal durante a música e a seguir interpreta o poema

I

ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro ouro prata
rios peixes minas mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

 II

salgado mar de fezes
batendo nas muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de Tiradentes

 III

salve lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendez-vous de impérios atrás

 IV

meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram

no Ipiranga

às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta


V

só desfraldando

a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
dessa terra tão servil
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza

com a pátria mãe que nos pariu

 1º de Abril 

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão

na rua sob patas
tombavam homens indefesos

esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta

 VI

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na Geleia Geral brasileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my Brazyl

minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para França
e coração latino balança
entre o mar do dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

 VII

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que há muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupy & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná

VIII

o sangue rola no parque
o sonho ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
e muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

IX

ó baby a coisa por aqui  

não mudou nada
embora sejam outras

  siglas no emblema

                    espada continua a ser espada 

                      poema continua a ser poema

ando entre a espada

o revólver e a navalha
o couro cobre a carne
como pano da mortalha
o grito preso na boca
e o relógio de músculos
move o sangue no asfalto
o beijo de cinzas
na quarta/feira antes do carnaval
subo os dois irmãos
o são conrado o vidigal
desce por um beco os farpados
deparo com o vinagre
os cacos de vidros quebrados
o brejo na curva
em frente os arcos da lapa
o samba que foi proibido
rasgaram a pedra do sal

8 – Si A Rainha Mãe do Mato –

Por Onde Andará Macunaíma? Essa é a pergunta do século! Macunaíma, o herói brasileiro de Mário de Andrade, sempre está por aí, fazendo das suas... Quem sabe não está metido em alguma aventura pelo interior do Brasil, driblando os perigos da floresta e da vida?

Ou talvez ele esteja mesmo é na poesia de Artur Gomes, se misturando com as imagens e referências, fazendo uma "viagem" própria. O que você acha? Por onde você acha que Macunaíma ainda anda?

9 -  Joilson Bessa – A Lira Delirante dos Poetas

10 - Atriz (a selecionar) – Irina Serafina

Enquanto na trilha sonora Caetano canta Tropicália – Irina solta o verbo :

- toda essa gentinha do bem me dá nojo, ojeriza e até preguiça não sou Macunaíma mas também tenho direitos -  sai de mim urubu que não sou carniça.

- enquanto isso em Iriri o sol esfrega sua luz por entre os pelos de Rúbia Querubim -  em Itabapoana na areia da praia os urubus saciam a fome a tarde inteira entre os girassóis no jardim

quantas navalhas

na carne enterrei

quantas feridas já sangrei

na pele nos nervos no osso

do boi só para ti

quantas lágrimas já chorei

quantas vezes mergulhei

no fosso fundo do poço

e ainda estou aqui?

11 – Si A Rainha Mãe do Mato –

o cheiro podre se espalha como fogo alto da Planície ao Master do Planalto.

certa vez disse-me Wally Salomão: “experimentar o experimental” enquanto lia Torquato mais do que provado: noves fora não são quatro, segui ouvindo uns blues dançando um reggae enquanto lia Olga, Clarice, Ana Cristina, Clara Bacarim e fui me descobrindo/construindo meu SerAfim Ponte Grande, a  ponte para o outro lado do rio, enquanto ouvia Chico, Gil, Gal, Bethânica, Cássia, trocava umas letras com Ciranda ouvindo agora Chico Chico  pensando o paraíba que atravessa uma cidade que um outro dia foi dos goytacazes, agora dos algozes, os reis e os sócios  das políticas dos negócios, que regem o assalto na cordilheira do planalto e regem o carnaval. : experimental o experimental


12 – Macunaíma - o que passou não ficará já foi - a menina dos meus olhos  roubou a tua menina  e levou para festa do boi -  fosse um Salgado Maranhão  nosso batismo de fogo 
na 25 de março  e o morro do querosene  em chamas  no canto pro tempo nascer -  e o amor que a gente faria  o sol acabou de fazer

fosse Sampa uma cidade 

ou se não fosse não importa 

 essa cidade me transporta 

me transborda me alucina 

 me invade inter/fere na retina 

com sua cruel beleza 

 como Oswald de Andrade 

e sua realidade 

 como Mário de Andrade 

e sua delicadeza

*

não fosse o teu amor 

o meu conforto 

e eu teu anjo torto 

meu amor como seria 

 se a jura secreta 

não fosse mais que um poema 

e se eu não te amasse 

como Glauber no cinema 

 o que tenho aqui 

no corpo em transe

: a quem daria? 

13 – Si A Rainha Mãe do Mato - o rio com seus mistérios 
molha meu cio em silêncio 
desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 
as flores soltas na fala 
o pó dos ossos dos anos 
você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 
o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 
que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos 
meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes 
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora 
esta palavra apavora 
o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 
meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto 
presa ao lençol dos seus dedos 
o rio retrata meu centro 
na solidão de mim mesma 
segundo a segundo nas águas 

lá onde o sol é vazante 
lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada 
onde coloca seus versos 

me encontro peixe e mais nada

14 – Macunaíma - o tecido do amor já esgarçamos 

em quantos outubros nos gozamos 

agora que palavro Itaocaras 

e persigo outras ilhas 

na carne crua do teu corpo 

amanheço alfabeto grafitemas 

 quantas marés endoidecemos 
e aramaico permaneço doido e lírico 
em tudo mais que me negasse 
flor de lótus flor de cactos flor de lírios 
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse 
Hilda Hilst quando então se me amasse 
ardendo em nós salgado mar e Olga risse  pulsando em nós flechas de fogo se existisse  por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse 

eu te desejo flores lírios brancos 

margaridas girassóis rosas vermelhas 

e tudo quanto pétala 

asas estrelas borboletas 

alecrim bem-me-quer e alfazema 

 eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura 
e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos 
eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 

enquanto a vida nos procura 

fosse esta menina Monalisa 

ou se não fosse apenas brisa 

diante da menina dos meus olhos 

com esse mar azul nos olhos teus 

não sei se MichelÂngelo 

Da Vinci Dalí ou Portinari

 te anteviram 

no instante maior da criação 

pintura de um arquiteto grego 

quem sabe até filha de Zeus 

e eu Narciso amante dos espelhos 

procuro um espelho em minha face 

para ver se os teus olhos 

já estão dentro dos meus 

te beijo vestida de nua

somente a lua te espelha

nesta lagoa vermelha

porto alegre caís do porto

barcos navios no teu corpo

os peixes brincam no teu cio

nus teus seios minhas mãos

as rendas finas  que vestias

sobre os teus pelos ficção

todos os laços dos tecidos

aquela cor do teu vestido

a pura pele agora é roupa

o sabor da tua língua

o batom da tua boca

tudo antes só promessa

agora hóstia entre os meus dentes

e para espanto dos decentes

te levo ao ato consagrado

se te despir for só pecado

é só pecar que me interessa 

quero dizer que ainda arde 

tua manhã em minha tarde 

a tua noite no meu dia 

tudo em nós que já foi feito 

com prazer ainda faria 

 quero dizer que ainda é cedo 

ainda tenho um samba/enredo 
tudo em nós é carnaval 
é só vestir a fantasia 
quero ser teu mestre sala 
e você porta/bandeira 
quando chegar na quarta feira  a gente inventa outra fulia

o amor 

não é apenas um nome 
que anda por sobre a pele 
um dia falo letra por letra 
no outro calo fome por fome 
é que a pele do teu nome 
consome a flor da minha pele 

cravado espinho na chaga 
como marca cicatriz 
eu sou ator ela esfinge: 
Clarice/Beatriz: 

assim vivemos cantando 
fingindo que somos decentes 
para esconder o sagrado 
em nossos profanos segredos 
se um dia falta coragem 
a noite sobra do medo 

é que na sombra da tatuagem 
sinal enfim permanente 
ficou pregando uma peça 
em nosso passado presente 
o nome tem seus mistérios que 
se escondem sob panos 
o sol é claro quando não chove 
o sal é bom quando de leve 
para adoçar desenganos 
na língua na boca na neve 
o mar que vai e vem não tem volta 
o amor é a coisa mais torta 
que mora lá dentro de mim 
teu céu da boca é a porta 
onde o poema não tem fim 

Aqui, 
redes em pânico pescam 
esqueletos no mar 
- esquadras - descobrimento 
espinhas de peixe convento - 
cabrálias esperas relento - 
escamas secas no prato 
e um cheiro podre no 
AR 

caranguejos explodem

mangues em pólvora 
Ovo de Colombo quebrado 
areia branca inferno livre 
Rimbaud - África virgem 
carne na cruz dos escombros 
trapos balançam varais 
telhados bóiam nas ondas 
tijolos afundando náufragos 
último suspiro da bomba 
na boca incerta da barra 
esgoto fétido do mundo 
grafando lentes na marra 
imagens daqui saqueadas 
Jerusalém pagã visitada 
- Atafona.Pontal.Grussaí - 
as crianças são testemunhas: 
Jesus Cristo não passou por aqui 

Miles Davis fisgou na agulha 
Oscar no foco de palha 
cobra de vidro sangue na fagulha 
carne de peixe maracangalha 
que mar eu bebo na telha 
que a minha língua não tralha? 
penúltima dose de pólvora 
palmeira subindo a maralha 
punhal trincheira na trilha 
cortando o pano a navalha 
- fatal daqui Pernambuco 
Atafona.Pontal. Grussaí - 
as crianças são testemunhas : 
Mallarmé passou por aqui. 
bebo teu fato em fogo 
punhal na ova do bar 
palhoças ao sol fevereiro 
aluga-se teu brejo no mar 
o preço nem Deus nem sabre 
sementes de bagre no porto 
a porca no sujo quintal 
plástico de lixo nos mangues 
que mar eu bebo afinal? 

15 – Ator 2 – na trilha sonora – Goytacá Boy faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia

ando por São Paulo meio Araraquara 
a pele índia do meu corpo 
concha de sangue em tua veia 
sangrada ao sol na carne clara 
juntei meu goytacá teu guarani 
tupy or not tupy 
não foi a língua que ouvi 
em tua boca caiçara 
para falar para lamber para lembrar 
da sua língua arco íris litoral 
como colar de uiara 
é que eu choro como a chuva curuminha 
mineral da mais profunda 
lágrima que mãe chorara 
para roçar para provar para tocar 
na sua pele urucum de carne e osso 
a minha língua tara 
sonha cumer do teu almoço 
e ainda como um doido curuminha 
a lamber o chão que restou da Guanabara

16 - Macunaíma - dia desses não quero ser Paulo Leminski nem dançar como Nijinski

ou escrever feito Pessoa numa boa quero voltar a Curitiba e sair da pindaíba escancarar o Beleléu quero ouvir Carlos Careqa esse - Filho de Ninguém e botar fogo no céu onde o anjo diz: Amém! um dia desses  quero ser o Nego Dito ou será o Benedito do Itamar da Assumpção um dia desses quero ser um João Gilberto e quem sabe Caetano seja como for dó ré mi fá sol lá si dó para explodir o meu silêncio e  tropicalizar  em Salvador quero ser um Pai de Santo fazer da Flor de Lys a minha flor

2

um dia desses quero ser um Celso Borges quero ser um Cláudio Willer quero ser Eliakin um Ademir Assunção quero ser sempre Plural estar sempre em profusão
um dia desses quero ser Zeca Baleiro
pra dançar Boi no Terreiro com Salgado Maranhão um dia desses quero ser César Augusto de Carvalho – Anistia pra golpista é o Caralho!

17 – Na trilha sonora Gilberto Gil se eu quiser falar com Deus – ou Elis – no palco Joilson Bessa – interpreta a letra da canção

18 – Depois dessas longas batalhas poéticas por Éticas o povo das terras brazílis finalmente chega  ao país de Pindoarma

Na trilha sonora o Samba Enredo da Mocidade Independente e Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta No Inconsciente Coletivo –

No palco o povo no país de Pindorama dança para festejar  – e segue atrás  do Boi Macutraia – para o endereço do antigo cinema coliseu – porque atrás do Boi Macutraia só não vai quem já morreu.

*

com os dentes cravados na memória

Federika Bezerra: A Porta/Bandeira que Bortou Olivácio Doido

Samba/Enredo do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo no carnaval de 1993 - em 1995 integrou o repertório do projeto Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim - Realizado pelo SESC-SP

Em

mil novecentos e vinte e cinco

na noite de orgias satanazes

um raio de trovão incandescente

rachou a Igreja em Goytacazes

um vulto do despacho então desceu

movido por farol de grande luz

tocou na pedra quebrou cruz

a Rainha do Fogo dessa gente

Federika

de ouro azul e prata

na porta da igreja foi parida

criada pelo Padre Olivácio

que logo depois lançou na vida

aos cindo de idade encantada

foi pega masturbando em sacristia

por causa de um sonho com o príncipe

DuBoi da mais sagrada putaria

Expulsa

da cidade foi pra longe

cresceu entre os jardins de JardiNÓpolis

mas se você pergunta Froid Explica:

- o seu palácio agora é em Petrópolis

Aos

dezenove plena de alegria

conheceu Gigi da Bateria

na porta do Beco de Satã

na festa federal do Bar da Lama

a Deusa dos Lençóis de toda cama

sorrindo para ver como é que fica

dá um corte na história

inverte o drama

e transforma Ouro Preto em Vila Rica

e assim vamos cantar em verso e prosa

a saga dessa Deusa Iansã

que em busca da mordida na maçã

sonhava encontrar Guimarães Rosa

Viemos

do SerTão para os seus braços

porque a Mocidade Independente

é a mais fina e pura Flor do Lácio

afilhada do secular Padre Miguel

e fiel ao seu pai Padre Olivácio

e para completar a grande roda

trazemos o cacique Pau Brasil

o centenário Oswald de Andrade

filho da paulicéia que pariu!

Passando pelas bandas do Catete

dançando na maior intensidade

macumba com o índio brasileiro

nossa Ex-Cola campeã da liberdade

Federika engravidou o grafiteiro

do famoso cacete Samaral

que escrevia pelos muros da cidade:

Mocidade já ganhou o Carnaval!

e assim vamos cantar na grande roda

tudo o que deu e o que não deu

o dia que um pastor bem collorido

pensou ser pai de santo e se fudeu!

leia mais no blog

A Biografia De UM Poeta Absurdo 

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