terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

PoÉticas ArturiAnas

 


suspenso

      no Ar

não penso

 

atravesso

o portão da tua casa

o corpo em fogo

a carne em brasa


tudo arde

nas cinzas das horas

no silêncio da tarde 


vou entrando 

sem alarde

sem comício


como o pássaro

que acaba de cantar

em pleno hospício 


você pensa que escrevo em rua reta ou estrada sinuosa para você poesia é verso do inverso ou avesso de uma prosa¿  escrevi pscicanalítica 67 em mil novecentos e sessenta e sete numa madrugada de setembro outubro quando visitei meu pai no henrique roxo e vi vespasiano contra a parede dando cabeçadas no manicômio mais uma vida exterminada e no fim das contas noves fora nada

 

tudo o que eu queria dizer naquela hora explode agora quando atravesso o portão da tua casa o corpo em fogo a carne em brasa sem pensar estética estrutura estilo de linguagem sinto o desejo entre os teus mamilos a espera do beijo da esfinge que devora 

 

                                             Artur Gomes

PoÉticas ArturiAnas

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AntroPOPhagia

 

Hoje levei a tarde na minha conexão sonora com o melhor que existe na Música Popular Brasileira. Só de sagaranagem compartilho para os amigos o link no youtube deste maravilhoso show ao vivo em Nova York, da minha amiga Beatriz Azevedo, para que todos possam ouvir essa maravilha musical sobre este poema do Oswald de Andrade, que os cricri enrustidos, chamam de poesia piada.

 

 no baile da corte

 foi conde D quem disse

pra dona Benvinda

 que farinha de suruí

 pinga de parati

fumo de Baependi

é comer beber pitá e cair

 

Se não existisse a Semana de Arte Moderna de 1922, e não existisse Oswald de Andrade é bem possível que esse AntroPOPhagia também não existisse, não preciso nem dar outros exemplos para afirmar que a SEMANA DE ARTE MODERNA norteou os rumos da Arte no Brasil a partir dela, por isso sua importância viva 100 Anos Depois. Eu bebo sempre bebi da fonte Oswaldiana, Serafim Ponte Grande é um dos meus livros de cabeceira, e eterno companheiro de viagem.

 

Artur Gomes

#natrilhadofogo
#vamosdevorar22

Fulinaimicamente

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clic no linc para assistir o show




Pátria A(r)mada

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

pohermeto oswaldiano


                                pohermeto oswaldiano

que a cia das letras ainda não publicou

 

pedaladas ao mar

 quando invento

pema  balançando

 ao sabor do vento

 

as mambucabas

quando chegaram em santa clara

traziam pimentas caiçara

conchas vermelhas de Ubatuba

salsinhas de Itaquatiara

miçangas azuis de São Luiz do Paraitinga

trilhas da serra  de Paranapiacaba  

muitas garrafas de pinga

para as mesas do interventor

Godot não perdia tempo

metia a boca na moringa

pensando que era um coringa 

dos bailes do Imperador 

ira tomar banho em   Guaxindiba 

enrolado nos trapos  do enxugador

 

Federico Baudelaire

www.fulinaimicamente.blogspot.com



faroeste lamparão

para torquato neto – in memória

 

“agora não se fala mais

agora não se fala nada”

 

quando saí de casa

ia dar um tiro na cara do delegado

mas estava desarmado

estão me colocando em histórias

dos tempos do não sei onde

como se eu durando kid

comesse a filha do conde

nunca comi amarela

em cinema mexicano

muito menos a ruiva

do faroeste americano

disseram que eu tive caso de amor

que se tornou pernambucano

quando encontrei o poeta

no trailer do Ricardinho

foi me falando de mansinho

como se trampa uma batalha

pra não cair na armadilha

     da grana palavra cilada

 

agora não se fala mais

agora não se fala nada

 

Godot da Muritiba

leia mais em

www.fulinaimagens.blogspot.com





 

federika com seus mistérios

molha meu cio em silêncio

 

corisco risca a faca na pedra

mas federika não medra

desafia o dito cujo

a ser maior que a morte

escrever poema sujo

e ser melhor do que fedra

 

quando  desgarrou da tribo dos goytazes

e foi parar em Itabuna

o corpo mais leve que pluma

em pleno ar levitava

quebrou  a faca do corisco

enquanto nos ares voava

 

cansada da preguiça baiana

picou a mula pra recife

praia da boa viagem

com gana de vida feroz

se dentro da noite é veloz

no olho do dia é voragem

 

com seus cardápios de arte

enfeitiçou  pernambucos

grafites por toda parte

por bares e restaurantes

grafitando seus   guardanapos

com grande  voracidade

 

eleita musa da praia

descobriu cedo na tarde

que tudo que arde cura

o que aperta segura

na premar quando agita

se é amor geme e grita

mesmo não sendo loucura

 

relembro que anos passados

antes dos dezessete

ela se misturou ao campistês

nos corredores do cefet

teve aula de português

com o poeta da quadrilha

que levava um boi pintadinho

nas fulinaimargens da trilha

 

federika amava federico

que amava boudelaire

que amava euGênio mallarmè

que amava lady gumes

que amava pastor de andrade

que amava serAfim

que amava rúbia querubim

dos cabelos negros como corvo

que foi morar em iriri

depois do amor o  estorvo

 

em recife montou seu reinado

e alimentou a matilha

de boêmios embriagados

nas noites das sapatilhas

com frevo maluco rasgado

pensando sonhar  em sevilha 

 

hoje nesse recife distante

 rio que nos separa

como palavra cilada

como poema armadilha

 

e nunca contou para a filha

tudo o que  em segredo

 já contou  para o mar  

e pras algas sal gadas da ilha

 

Artur Gomes

Poéticas ArturiAnas

www.arturkabrunco.blogspot.com



 

 O Homem  Com A Flor Na Boca

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

travessuras baudeléricas


nos currais dos mares salgados


                                pohermeto oswaldiano

que a cia das letras ainda não publicou

 

pedaladas ao mar

 quando invento

pema  balançando

 ao sabor do vento

 

as mambucabas

quando chegaram em santa clara

traziam pimentas caiçara

conchas vermelhas de Ubatuba

salsinhas de Itaquatiara

miçangas azuis de São Luiz do Paraitinga

trilhas da serra  de Paranapiacaba  

muitas garrafas de pinga

para as mesas do interventor

Godot não perdia tempo

metia a boca na moringa

pensando que era um coringa 

dos bailes do Imperador 

ira tomar banho em   Guaxindiba 

enrolado nos trapos  do enxugador

 

Federico Baudelaire

www.fulinaimicamente.blogspot.com



faroeste lamparão

para torquato neto – in memória

 

“agora não se fala mais

agora não se fala nada”

 

quando saí de casa

ia dar um tiro na cara do delegado

mas estava desarmado

estão me colocando em histórias

dos tempos do não sei onde

como se eu durando kid

comesse a filha do conde

nunca comi amarela

em cinema mexicano

muito menos a ruiva

do faroeste americano

disseram que eu tive caso de amor

que se tornou pernambucano

quando encontrei o poeta

no trailer do Ricardinho

foi me falando de mansinho

como se trampa uma batalha

pra não cair na armadilha

     da grana palavra cilada

 

agora não se fala mais

agora não se fala nada

 

Godot da Muritiba

leia mais em

www.fulinaimagens.blogspot.com





 

federika com seus mistérios

molha meu cio em silêncio

 

corisco risca a faca na pedra

mas federika não medra

desafia o dito cujo

a ser maior que a morte

escrever poema sujo

e ser melhor do que fedra

 

quando  desgarrou da tribo dos goytazes

e foi parar em Itabuna

o corpo mais leve que pluma

em pleno ar levitava

quebrou  a faca do corisco

enquanto nos ares voava

 

cansada da preguiça baiana

picou a mula pra recife

praia da boa viagem

com gana de vida feroz

se dentro da noite é veloz

no olho do dia é voragem

 

com seus cardápios de arte

enfeitiçou  pernambucos

grafites por toda parte

por bares e restaurantes

grafitando seus   guardanapos

com grande  voracidade

 

eleita musa da praia

descobriu cedo na tarde

que tudo que arde cura

o que aperta segura

na premar quando agita

se é amor geme e grita

mesmo não sendo loucura

 

relembro que anos passados

antes dos dezessete

ela se misturou ao campistês

nos corredores do cefet

teve aula de português

com o poeta da quadrilha

que levava um boi pintadinho

nas fulinaimargens da trilha

 

federika amava federico

que amava boudelaire

que amava euGênio mallarmè

que amava lady gumes

que amava pastor de andrade

que amava serAfim

que amava rúbia querubim

dos cabelos negros como corvo

que foi morar em iriri

depois do amor o  estorvo

 

em recife montou seu reinado

e alimentou a matilha

de boêmios embriagados

nas noites das sapatilhas

com frevo maluco rasgado

pensando sonhar  em sevilha 

 

hoje nesse recife distante

 rio que nos separa

como palavra cilada

como poema armadilha

 

e nunca contou para a filha

tudo o que  em segredo

 já contou  para o mar  

e pras algas sal gadas da ilha

 

Artur Gomes

Poéticas ArturiAnas

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 O Homem  Com A Flor Na Boca

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Federico pensou Iracema

com seus grandes vestidos folgados

como a grande ninfeta Iolanda

trajada em vestes de penas

nos bailes do império em Luanda

 

nas barras das saias da fama

ele então grafitou grumixama

palavra que ouviu numa cena

na língua da formosa dama

no teatro da rua ipanema  

nos bordeís de copacabana

 

os cogumelos de Santa Cecília

nas barras incandescentes da cama

pornofônicas palavras fonemas

pitanga urucum colorau açucena

com os caldos da salsaparrilha

qualquer  grande orgia    é pequena

 

Artur Gomes Fulinaíma

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 O Homem  Com A Flor Na Boca

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alvoroço na aldeia franciscana




alvoroço na aldeia franciscana

              

Godot montou seu cavalo baio

pensando copa cabana

atravessou como um raio

as barras do Itabapoana

 

deixou amante em guriri

da sereia ouvi o canto

e foi para iriri

cantar com espírito santo

 

comer quibe de peixe

com água ardente capixaba

e em noites de lua cheia

licor de jabuticaba

 

o povo de gargaú em polvorosa

lambendo o cravo e a rosa

provocou madona em guaxindiba

como quem briga

por preço baixo no mercado

 

que ela então decretasse

que Godot fosse enjaulado

e desfizesse para sempre

esse novelo do bordado

 

a tribo de ururaí

num  ariticum desesperada

bradou um canto mameluco

pegou  seus tambores de guerra

confeccionados no macuco

 

 

dançou  no alto da serra

como quem dança uma balada

gastou as solas dos sapatos

e foi caçar onça pintada

nas matas do carrapato


pitadas de Suassuna

com josé cândido de carvalho

 

godot atravessou o rubicão

num galope do karalho

seu cavalo baio corria mais que o cão

com medo do espantalho

 

 voltando de iriri

passou pela muritiba

para catar sementes de aroeira

e fugir do delegado

no encontro não marcado

nas rodas de capoeira

nas caiçaras da intriga

 

foi fazer cosmético

pra amante de guaxindiba

que deixou em guriri

 comendo piaba frita

no almoço da sexta feira

 

parecia um tal   coronel

Ponciano de Azeredo  Furtado

como medo de lobisomem

pensando que o bicho é homem

 

sem tempo de tomar banho

amanheceu sujo borrado

contando as vacas no pasto

no sobrado do Airizes

nos fios do arame farpado

 

                                                                      Artur Gomes

Poéticas ArturiAnas

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sonho medonho

para Celso de Alencar

inspirado em um poema de Chico das Iolandas

 

quando Cronos

beijou Vênus em Creta

foi para separar Ísis de Apolo

e evitar que Júlia morresse

de morte  tão prematura

e a cabeça de Pompeu

não fosse encontrada num cesto

ao invés de sepultura

 

sonho literatura

desses que a gente sonha

com desejo de sonhar

e pensa até que a fronha

é mulher pra se casar

 

toca-se até uma bronha

sonhando que vai gozar

com a diaba Cleópatra

sacerdotisa no altar

esporra nas franjas da cama

e nunca mais quer acordar

 

Federico Baudelaire

www.fulinaimicamente.blogspot.com



Pátria A(r)mada

material para segunda edição

www.porradalirica.blogspot.com

Balbúrdia PoÉtica -14 de outubro

A Ventura Editora e o autor Arthur Gomes convidam para o lançamento do livro Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma 14 outubro - ...